A minha mãe é o quê?
É difícil ser mãe. E não falo das dores no parto, porque essas até são evitáveis (epidural), falo da omnipresença.
Passo a explicar: a nossa capacidade de argumentação é limitada. É óbvio que há pessoas que têm um patuá tal, que provoca toda uma abertura de boca por parte de quem ouve. Há outras que, não tendo argumentação, recorrem às mães.
Atenção que não se trata de um complexo de Édipo. Trata-se de um complexo de Estupidez.
Metáforas e outras figuras de estilo à parte (pobre de mim que já não me lembro da maioria delas), o grande mal das pessoas é recorrerem às mães quando não têm nada mais a dizer. Sobretudo nas discussões.
Cena 1: Paulo Bento forever.
Umbelino: "O senhor da tranquilidade lá se foi. Finalmente teve vergonha!"
Humberto: "Não digas isso! A culpa não é dele. É dos jogadores, de alguns parvalhões que andam só a mamar e não fazem nenhum!"
U: "Cala-te! Ele é que não percebe nada de treinar!"
H: "Então quem percebe?"
U: "A tua mãe não, de certeza."
H: "Porque é que puseste a minha mãe à baila? A tua há-de ser muito melhor..."
U: "E é! Faz um caldo verde que é daqui."
H: "Tu estás bem? Porque raio desviaste a conversa?"
U: "Não vês que ainda aí um gajo a gravar a nossa conversa para publicar no blog? Diz que temos que falar das nossas mães."
H: "Hum... Estou a ver. Olha, a tua mãe é uma p*ta. É o que ela é!"
U: "Deixa estar. Ela disse-me que a tua tinha mais clientes."
H: "Era uma conversa destas que tu querias, Wilson?"
Wilson: "Sim, era... Mais ou menos. Mas pronto, obrigado."
Caso 2: De mulheres de vida está o Jet7 cheio.
Francisca Micaela: "Olhe Teresinha Isaura, não gosto de si, 'tá a ver?"
Teresinha Isaura: "Eu também não gosto de si. Parece que tem a mania que vive na Quinta da Marinha"
FM: "Você também não vive lá, 'tá a p'ceber?"
TI: "Pois não vivo, kida, mas vivo num condo bem bonito com p'scina e tudo, 'tá bom?"
FM: "Olhe, pois mesmo vivendo num condo com p'scina você tem uma mãe que é uma mulher de vida."
TI: "Deixe estar que a sua aparece nas revistas com um namorado cada dia. A minha ao menos faz as coisas pela calada, não p'cisa de aparecer, 'tá?"
FM: "A minha só aparece, porque recebe por isso. Eu acredito que a sua faça o serviço sem receber nenhum."
TI: "Como sabe?"
FM: "Ouvi o meu pai a comentar isso com o seu."
Caso 3: Português standard.
Zeferino: "É falta, seu c*brão! Filho da p*ta! Havia de te dar umas hemorróidas nesse c*! Vai p'ra casa!"
Deolinda: "O que é que você me chamou?"
Z: "Não foi a si, foi à mãe do árbitro."
D: "Ah seu sacana! Havias de ser meu filho! Queres que eu te dê com a mala? Ela está pesada. Tem aqui um Sonasol Amoniacal para eu lavar o chão quando chegar a casa!"
Z: "Ora dê!"
D: "Pois dou. Para ver se aprendes que o algodão não engana!"
'Bora lá treinar a argumentação e não ofender as nossas mães, que elas fazem tanto por nós. Isto não significa que passemos a dizer Filho de um prostituto.