Aqui há uns meses, enquanto discutíamos religião cá em casa (sempre conversas interessantíssimas, davam ótimas tertúlias numa Fnac), disse aos meus pais que me estava a tornar agnóstico. Digamos que eu não gosto de ser radical ao ponto de dizer que não acredito num deus (o corretor do Chrome é cristão; põe erro em deus com letra pequena), porque até acredito. Não acredito num deus criador, que tenha posto cá todas as criaturas na terra de forma instantânea. Também não acredito num deus que tenha emanado um gás e provocado o Big Bang, como o Family Guy mostrou há uns tempos. E também não acredito num deus que tenha engravidado uma mulher de forma aleatória chamada Maria (quer dizer, o que é que ela tinha a mais que as outras? Ancas largas?).
Acredito que exista um deus que tenha noção do bom de do mau mas que falhe como todos nós. Se existisse uma justiça divina correta e sem lacunas, não haveria problemas neste mundo. Mas lá está: sem vilões não há heróis e vice-versa (foi algo que o Megamind me ensinou) e por isso, quero acreditar que a justiça de deus pode falhar no momento, mas não tarda muito a redimir-se.
Agora, todo o espetáculo que gira à volta da igreja intriga-me e incomoda-me. E por isso sempre que oiço falar da igreja neste contexto de espetáculo não hesito e mando logo uma boca para me sentir bem comigo próprio. Ontem, enquanto a SIC promovia uma reportagem sobre os pescadores que foram resgatados e que foram a Fátima agradecer, exclamei: "Não sabia que a Nossa Senhora era militar da Força Aérea!". Os meus pais riram-se. Os pescadores foram salvos, não digo por sorte, mas pelo profissionalismo e rapidez dos militares, caso contrário dificilmente estariam cá para contar a história. Pode parecer que não respeito a forma como cada um pratica a sua religião, mas transformá-la num circo é demais para mim.
Por outro lado, sou de uma incoerência enorme e ainda na semana passada fui acender umas velas a Fátima. Depois, faço uma pequena oração todas as noites que já se tornou um hábito. Peço apenas que corra tudo bem no dia seguinte para mim e para os meus. É coisa para deixar de fazer no dia em que sair de casa e deixar o meu terço fluorescente por aqui. Já tentei deixar de o fazer, só que o raio do terço brilha ainda com mais força quando não rezo.
Acho que tenho medo que deus me castigue. Se o fizer, está a falhar redondamente.




4 comentário(s).:
Eu acho tudo isso uma grande (adicionar adjetivo aqui). Respeito que os pescadores possam ir a Fátima agradecer terem sido salvos, mas é desleixo pensar que foi outra Virgem que lhes afundou o barco. hihihi
Very Best Hug
Olha que nem tinha pensado nisso. Diz que as virgens e as nossas senhoras são sempre as mesmas, portanto estão a agradecer à mesma que os afundou :O
Disse exactamente a mesma coisa aos meus pais. Se bem que, com este texto, apercebo-me que tens muita mais fé que eu. Mas pronto, circunstâncias da vida. Adoro o teu blogue e já não vinha cá há algum tempo. Estou a pôr-me a par :)
Continua o bom trabalho!
Ahah, muito bom :)
Gostei principalmente da ultima parte do texto !
Um beijo *
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