"Em Outubro de 1990 o meu pai resolveu pôr a sementinha na minha mãe. Era o início da década de 90 e a sociedade não estava preparada para a transição das chapas de matrícula pretas para as chapas de matrícula brancas, muito menos para saber como se fazem realmente os bebés.
Mas como somos todos crescidos eu passo a explicar como é que eu fui feito. Aliás foi esta a história que os meus pais sempre me contaram: ora, o meu pai e a minha mãe amavam-se muito e por se amarem tanto decidiram ter mais um filho para darem o amor que para eles era em excesso. Então ligaram para uma agência de cegonhas e esperaram nove meses até a cegonha chegar comigo dentro de um cesta de vime com uma manta branca. Depois iniciou-se todo um processo de adaptação, com baptizado, festas, "cutxi-cutxi-cu, és tão lindo Wilson!" e etc. Aprendi a falar, a andar e a gostar de canja. Hoje a minha mãe diz que eu tenho um andar esquisito (eu acho que é à homem e consigo fazer o que muitos gajos não conseguem: juntar as pernas sem formar um arco semelhante ao do Triunfo), dizem que eu falo alto e saturei de canja.
Portanto, Outubro de 1990, nove meses, 7 de Junho de 1991. É essa a data que têm de reter se quiserem dar-me uma prenda. Lembro-vos que a fasquia está demasiado alta por causa do que aconteceu este ano. Fui ver os Friendly Fires graças aos meus amigos.
Adiante. Passemos à infância. Muito rapidamente, mandei calar a minha educadora de infância; parti os dentes de leite num acidente de viação com um triciclo pois o dito cujo não tinha travões; o meu oitavo aniversário decorreu em Verona; mandei calar a professora da primária porque me sentia explorado; abri a cabeça de um amigo no meu décimo aniversário; fui a correr atrás do carro porque a minha mãe pensou que eu tinha entrado quando tinha deixado o guarda-chuva no banco de trás. Era uma descida acentuada. Estava a chover.
Pré-adolescência. No terceiro período do 5º ano tirei 5 a tudo, sendo que o 5 a Educação Física foi comprado para não destoar na pauta. No período homólogo do 6º ano não tirei 5 a três disciplinas, mas mesmo assim recebi um telemóvel todo pipi.
Adolescência. No 7º ano ia sendo expulso por me andar aos pontapés na cadeira de um amigo meu. Nesse mesmo ano sofri horrores por estar à frente nas aulas de Matemática. A professora era com cada perdigoto. No 8º também sofri horrores com a professora de Matemática. Esta tinha mau feitio. No 9º tirei a minha primeira negativa a Matemática e foi um prenúncio para o que veio no Secundário. Negativa atrás de negativa. Corri o risco de chumbar no 11º ano, mas lá me safei. No ano antes conheci os amigos que continuam a sê-lo hoje. Apareceu-me a minha fã número um chamada Acne que até hoje ainda não me largou. Mas já esteve mais longe de me deixar em paz. Em 2009 entrei num dos cursos que desejava, mas hoje sei que tenho que fazer um desvio para me sentir realizado. E essa realização só acontecerá daqui a algum tempo. Quis ser designer, engenheiro, professor e agora vou ser um marketeer a trabalhar na caixa do Continente. Consegui redimir-me das notas do secundário e voltei a ser bom aluno tendo apenas alguns percalços. Chumbei no exame de condução porque o examinador achava que eu ia espetar-me contra um camião estacionado numa rotunda movimentada da cidade.
Futuro. Anseio morrer muito tarde. Muito tarde mesmo. E para isso terei de fazer um equilíbrio entre a bondade e a maldade. A minha filosofia é ser 33% bom, 33% mau e 34% sexy. Actualmente sou tudo isso, restando aperfeiçoar apenas a parte sensual. A minha convicção é que as pessoas inteiramente boas morrem demasiado cedo. Admito que tenho medo da morte, por não saber se depois desta vida terei mesmo outra. Quero acreditar que sim. Gosto de cá andar. Gosto de viver. E como disse há uns posts atrás, gosto de projectar para garantir que estarei a viver nessa altura. Quero trabalhar em publicidade. Gostava de ter um café ou um projecto de animação nocturna. Odeio a animação nocturna de hoje: tudo se resume a música comercial reles. Quero algo à minha medida. Não deixo de me divertir, é certo, mas divertir-me-ia muito mais a curtir os sons que gosto. Gostava de ter uma empresa de comunicação empresarial, na área da imagem corporativa. Não anseio um Mercedes, um BMW ou um Audi. Um Peugeot basta-me. Não me apetece Hugo Boss. Prefiro Zara. Não quero ser milionário, quero viver à vontade. Ter uma vida como os meus pais conseguiram ter. Com saúde à mistura. Quero ser pai. É um desafio, mas acho que estou à altura."
Nota sobre o autor.
Wilson tem 20 anos e auto-intitula-se "um tipo INCRÍVEL com borbulhas e uma barriguinha" ("an AWESOME guy with pimples and a tummy" em inglês porque prevê internacionalizar-se). Tem ambas as coisas, mas não deixa de espalhar sensualidade por onde passa, tendo sido elogiado por mais de cinco pessoas pela sua excelente forma física dentro destes parâmetros. Proprietário de uma auto-estima também ela incrível, Wilson desde cedo soube das suas limitações e aproveitou-as para se destacar dos demais. Com uma alegria contagiante, Wilson consegue transformar qualquer dia cinzento num dia mais bonito. Canta, dança, goza, mas é respeitador. As suas críticas são construtivas, nunca destrutivas. Cultiva ódios aqui e ali, mas não deseja o mal a ninguém, nem mesmo ao Akon, aos DJ's comerciais ou à Christina Perri, o seu ódio mais recente. Gosta de boa música, é fã de Seth MacFarlane, o criador das séries Family Guy, American Dad! e The Cleveland Show. Gosta dos lendários (The) Simpsons e prefere as comédias. Não gosta de futebol, mas gosta de fazer desporto dentro de quatro paredes a correr e a levantar pesos. Não segue modas, porque o dinheiro não permite. Sabe ser e estar. É genuíno. É incrível.



